segunda-feira, 6 de maio de 2013

O meu sonho é fugir

 Desejo fugir para longe de tudo o que mais me atormenta: a minha realidade.
 Vou fugir para longe destes problemas que me têm sufocado e até fugir do meu  próprio destino. 
 Quero fugir de tudo o que me magoa, mesmo sabendo que terei de deixar aquilo que mais amo. 
 Quero começar de novo. Quero tentar ser a pessoa que todos tentam que seja, porque digam o que disserem, ser eu própria não é bom. É algo que somos ensinados a fazer desde sempre e que é instável e pode fazer com que tudo o que te está destinado se altere. Ser eu própria fez-me mal, e agora gostaria de fugir e tentar de novo, e ser a menininha que todos esperam que eu seja.
 Já estou cansada de aqui estar. Estar presa a um local onde todos pensam que me conhecem e que falam de mim e da minha vida como se eu fosse uma personagem de um livro e tudo isto que se está a passar fosse uma brincadeira. E talvez seja. E talvez eu esteja apenas a sonhar. O que eu sei é que mesmo que tudo isto seja um sonho, eu irei fugir, nem que seja daminha própria cabeça...

sábado, 23 de março de 2013

Olhares Trocados

 Custa-me tanto olhar para os teus olhos e ter que recordar-me de tudo o que passámos. Todos os sorrisos, os abraços, os beijos e especialmente os olhares trocados entre nós. O teu olhar era tudo aquilo que eu mais adorava: era reconfortante num dia difícil, transmitia alegria num dia feliz... era tudo o que eu precisava e muito mais. Eras aquela pessoa que estava lá sempre acontecesse o que acontecesse e que me apoiava sempre, mesmo que tudo estivesse mal e eu só tomasse as decisões erradas para a situação. Eras o meu presente e o meu futuro e o meu "felizes para sempre"...
 Mas de repente, passaste a pertencer apenas ao passado. E para ser sincera, nem me lembro bem do porquê de teres passado de tudo a nada; de algo que eu amava a algo que agora me era indiferente; de alguém que estava sempre presente a alguém que eu sabia que iria estar ausente para sempre...
 Tenho receio de te perguntar o porquê do nosso afastamento e vir a descobrir que errei, como faço sempre que me aproximo muito de alguém. Tenho medo de saber qual foi o erro que cometi desta vez e com esse medo vem também o medo de me arrepender, pois sempre fui ensinada que o arrependimento é algo que apenas as pessoas fracas têm e sentem e nunca demonstrei qualquer sinal de fraqueza, por isso também não fazia intenções de o começar a fazer agora.
 Mas sinto a tua falta. Sinto a falta do teu toque e da tua presença e de tudo o que passámos e quero-te no meu presente e no meu futuro novamente, por isso estou prestes a mostrar a minha fraqueza. Estou prestes a arrepender-me de tudo o que fiz apenas para te ter de volta.
Sei que nada será o mesmo, mas pelo menos saberei que te tenho perto de mim...

domingo, 10 de março de 2013

Reflexões

 A chuva batia violentamente na janela e parecia que não haveria amanhã. Parecia que tudo acabava ali e naquele momento e que não havia maneira de escapar. Teria de aproveitar esse tempo para meditar na minha vida. Meditar sobre as minhas vitórias e derrotas. Pensar e orgulhar-me dos meus amores e amizades, passados e presentes. Aproveitar para pensar na minha família: na injustiça de eu não poder escolher com quem ficar sem ter nenhuma consequência; no amor que sinto pelos meus irmão que estão sempre ao meu lado apesar das suas tenras idades, que nem sempre permitem que eles percebam tudo o que se passa a sua volta, mas que estão sempre junto a mim independentemente de tudo. Pensar na minha melhor amiga: na injustiça da sua partida, das saudades que sinto dela e da ânsia que tenho pelo seu regresso.
 Senti um arrepio devido à corrente de ar que circulava pelo quarto. Vesti um casaco e sentei-me confortavelmente na cama enquanto olhava para as fotos colocadas na parede e no armário. Recordações sem fim... Olhei mais atentamente e fixei o olhar e apenas uma delas: uma foto antiga, de quando eu tinha 5 ou 6 anos e estava no cais a sorrir enquanto segurava o leme. Dos muitos dias felizes que me lembro da minha infância, creio que este é o que me lembro menos. Quando penso nele e tento que as memórias me venham à cabeça apenas me consigo lembrar de estar no barco um pouco assustada, por ser a 1ª vez que andava de barco, junto da minha mãe enquanto ela me sussurrava levemente ao ouvido um "Vai tudo correr bem, não te preocupes". Lembro-me de todos os sorrisos sem razão e da gargalhadas altas e verdadeiras dadas por todos os que estavam presentes naquele dia. E agora gostava que fosse assim: gostava que agora me divertisse e aproveitasse para no futuro apenas me lembrar dos momentos em que fui feliz sem me lembrar da razão porque o fui. Mas a realidade não torna isso possível.  Parece que a cada dia que passa, eu vejo o lado mais negativo da minha vida...
 Depois de estar algum tempo a pensar, levantei-me da cama, arranquei violentamente a foto da parede e rasguei-a. Finalmente tinha percebido o motivo de apenas conseguir ver o lado mais negativo da minha vida: EU ESTAVA DEMASIADO AGARRADA AO PASSADO! Estava agarrada ás memórias que me faziam sentir um calor, uma espécie de felicidade confortável e estável. Estava agarrada aquilo que sentia que não me poderia ser tirado porque estava na minha mente...
 Livrei-me de tudo o que pertencia ao meu passado, até aquilo que era apenas de alguns meses atrás, e colei uma foto minha tirada no dia antes a sorrir, com esperança que no futuro pudesse colocar lá muitas mais recordações felizes, e quando olhar para as que naquela altura serão do passado pensar: "Eu era feliz, mas agora também o sou"...
 A chuva parou e eu saí do quarto, com a ideia de que nunca iria olhar para o passado da mesma forma...